Dom Quixote, geralmente(e com certa razão) é denominado o maior livro do mundo, nesta novela em duas partes, podem ser encontrados todos os acessórios modernistas do século XX.

Essa história de Cervantes sempre foi tida como altamente romântica, mas é baseada na sua própria experiência e nos faz pensar como é grande a capacidade humana de tirar o melhor dos infortúnios.

Cervantes pertence ao leitor comum; ao leitor comum, quase sempre, ausente nos corações dos eruditos, que, vantajosamente acomodados em seus intelectos, não se desenvolveram emocionalmente.

Dom Quixote é uma crítica do ideal romântico escrita muito antes do advento do Romantismo. É uma obra que tem vida própria, de modo que a interpretação romântica não pode ser considerada despropositada. O livro tem sido de tudo para todos os leitores.

Dom Quixote é um homem que vive sob o poder dos seus sonhos e de sua imaginação. É capaz de ver um gigante onde há apenas um moinho ou um exército onde há apenas um rebanho de ovelhas.

Algumas pessoas leem Dom Quixote pelo seu humor burlesco outros dizem que é a Bíblia da Humanidade. Por séculos nossas mentes analisam a obra-prima de Cervantes.

O grande escritor russo Dostoiévski disse que Dom Quixote foi uma das mais lindas figuras da história. A outra foi Jesus Cristo. O ganhador do Prêmio Nobel William Faulkner lia Dom Quixote uma vez por ano. Freud estudou espanhol para ler a obra no original deixando dúvidas se a sua teoria da psicanálise teria sido inspirada pelo livro de Cervantes.

Embora seu humor pareça juvenil, Dom Quixote não foi escrito por um descuidado. Miguel de Cervantes atraiu por anos, heroísmos e derrotas em sua própria vida, para criar em sua obra-prima, temas e personagens complexas.

A Espanha que Dom Quixote relatou estava em tumulto. Era um dos países mais poderosos do mundo, mas dissipava suas riquezas em suas novas conquistas e as classes inferiores sofriam. Como a economia vacilava, a monarquia usava a religião para controlar essa nação em mudança.

Naquela época na Europa, quando a Renascença deu um impulso as ideias dinâmicas de Da Vinci e Galileu, a Espanha se enterrou em doutrinas religiosas e começou a expurgar todos que não se adaptassem as suas leis. Essa foi a época da Inquisição Espanhola.

Foi uma época em que a atmosfera era de extrema intolerância, demanda de união política e de dogmas religiosos que Cervantes finalmente fez ressurgir e que descreve no Dom Quixote, que é o oposto daquilo que a maioria exigia na época.

Ao invés de fazer com que seu cavaleiro se aventurasse num mundo onde tudo seguia uma suprema verdade como um mandato católico. Cervantes jogou seu “Dom”, num mundo de contradições, de múltiplas crenças, línguas e classes, um mundo igual ao nosso.

Entre todas as peculiares aventuras de Dom Quixote, existe um episódio que capturou nossa imaginação mais que outros. “Olhe lá, Sancho Pança e veja os gigantes selvagens(moinhos) com quem eu pretendo lutar e matar a todos”.

Sua derrota não é o que lembramos de sua batalha com o moinho de vento. Através do tempo, o episódio tem se transformado num símbolo de nobreza e também de idealismo inatingível.

Após ter tido que lidar com uma falsa segunda parte do seu romance, Cervantes escreveu com o intervalo de uma década a sublime e verdadeira continuação do romance.

Nessa segunda parte as derrotas são mais dolorosas, não são tão físicas, mas humilhantes e difíceis. Tudo isso é planejado. Nada é acidental. Cervantes nos conduz penosamente para uma mudança de atitude.

O humor que se sente nas piadas cruéis na segunda parte tem um ar grotesco e sombrio. Você ri, mas tem dúvidas.

“É o livro mais triste que já foi escrito”, disse Dostoiévski….pois é a estória da desilusão”.

Tudo que é relatado por exemplo a respeito dos duques, é o fato de destruírem incertezas e estabelecerem a realidade que é muito feia. Uma realidade cheia de maldade, hipocrisia, culto das aparências, degradação alheia, ódio por aqueles que são diferentes, a ridicularização dos que são diferentes. É como um microcosmo do mundo moderno, repleto de fobias, racismo, xenofobia, anti-semitismo, anti-árabes, anti-imigrantes. Os duques da segunda parte da história personificam todas essas coisas que constituem o mundo contemporâneo.

Uma das coisas que nos entristece é a falta de quixotismo no mundo, não ir aos campos de La Mancha, e lutar contra moinhos. A mensagem de Dom Quixote é uma lição permanente do que a humanidade pode fazer para ir além do que pode, e realizar os seus sonhos. Os homens , mulheres e crianças precisam refazer o mundo e não se contentar com o que o mundo oferece. É isso que Dom Quixote nos diz. Que devemos duvidar de uma alegria pré fabricada. Vamos pôr em dúvida. Vamos ser como Dom Quixote.

Após séculos, o cavaleiro da triste figura, ainda nos faz questionar as coisas como são, e sonhar com um mundo como gostaríamos que fosse.

ALIMENTE-SE DE PALAVRAS, LEIA!

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